Reforma Tributária e impactos na gestão das empresas são tema de palestra promovida pela ACIME e COJEMED
sexta, 22 de maio de 2026
Na noite do dia 21 de maio, a Associação Empresarial de Medianeira (ACIME), em conjunto com o COJEMED — Conselho do Jovem Empreendedor de Medianeira — promoveu uma palestra seguida de bate-papo com o contador Héliton Gonçalves, abordando um dos temas mais relevantes para o cenário empresarial brasileiro nos próximos anos: a Reforma Tributária e seus impactos na gestão das empresas.
O encontro reuniu empresários, gestores e profissionais interessados em entender as mudanças previstas para os próximos anos, principalmente a transição entre 2025, 2026 e 2027, período em que o novo modelo tributário começará a ser implementado gradualmente no Brasil.
A ação também fez parte do Movimento Nacional do Feirão do Imposto, iniciativa realizada anualmente durante o mês de maio em diversas cidades do país, com foco na conscientização da população sobre a carga tributária brasileira e os impactos dos impostos no dia a dia dos cidadãos e das empresas.
O Feirão do Imposto é um movimento nacional coordenado pela CONAJE (Confederação Nacional dos Jovens Empresários) e realizado por núcleos e conselhos de jovens empreendedores em todo o Brasil.
O principal objetivo do movimento é promover educação tributária e conscientizar a população sobre:
Durante o mês de maio, diversas ações são realizadas em todo o país, como:
Em Medianeira, este é o terceiro ano consecutivo em que o COJEMED participa ativamente do movimento, promovendo ações como o tradicional Combustível sem Imposto, além de iniciativas voltadas à conscientização empresarial e tributária da comunidade.
Um dos temas centrais do encontro foi a possibilidade de empresas optantes pelo Simples Nacional adotarem o chamado modelo híbrido.
Hoje, no modelo tradicional do Simples Nacional, os tributos permanecem dentro da guia única do DAS. Porém, nesse formato, a empresa não gera créditos tributários para os clientes que compram seus produtos ou serviços.
Já no modelo híbrido, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) passam a ser pagos separadamente, fora do DAS. Embora isso represente uma alíquota maior em alguns casos, a empresa passa a gerar créditos tributários integrais para os clientes.
Na prática, isso pode se tornar um fator competitivo extremamente importante no mercado, especialmente em negociações B2B, onde empresas tendem a priorizar fornecedores que permitam aproveitamento de créditos tributários.
Outro ponto debatido foi o funcionamento do chamado Split Payment, modelo que deve transformar a forma como os impostos serão recolhidos no Brasil.
Nesse sistema, no momento da compra, o pagamento poderá ser dividido automaticamente:
Segundo os especialistas, esse modelo busca aumentar a eficiência da arrecadação, reduzir inadimplência tributária e diminuir riscos de sonegação.
Além disso, o novo sistema exigirá ainda mais controle financeiro, organização e integração entre gestão fiscal, contabilidade e operação empresarial.
A palestra também destacou uma mudança que promete impactar diretamente a logística e a competitividade das empresas no Brasil: o fim gradual da chamada “guerra fiscal” entre estados.
Atualmente, muitas empresas escolhem estados para instalar centros de distribuição ou operações logísticas devido a benefícios fiscais e impostos menores.
Com a Reforma Tributária, o modelo de tributação passa a seguir o princípio do destino, ou seja, o imposto será arrecadado no local de consumo do produto ou serviço.
Isso tende a reduzir vantagens fiscais regionais e deve provocar uma reorganização logística em diversos setores da economia.
Outro tema importante abordado foi a mudança nos processos de emissão de notas fiscais, especialmente para empresas prestadoras de serviço.
Desde 2025 já começaram adaptações técnicas nos sistemas fiscais e, segundo os especialistas, essa transformação continuará evoluindo nos próximos anos.
Além disso, a precificação foi apontada como um dos fatores mais sensíveis da nova realidade tributária.
Com alterações na composição dos impostos, créditos tributários e novas formas de recolhimento, empresas precisarão revisar:
Um dos principais alertas da palestra foi que a contabilidade deixará de ser apenas operacional e passará a ocupar um papel cada vez mais estratégico dentro das empresas.
Com as mudanças da Reforma Tributária, o acompanhamento contábil e tributário será fundamental para:
A Reforma Tributária é considerada uma das maiores mudanças econômicas das últimas décadas no país. A transição será gradual, mas exigirá planejamento, adaptação e atualização constante por parte das empresas.
Eventos como esse reforçam a importância do acesso à informação e da aproximação entre empresários, especialistas e entidades representativas, fortalecendo o desenvolvimento empresarial e preparando os negócios para um cenário tributário mais moderno, digital e competitivo.
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